Carta de Innocente Pedron para o Padre Francesco 10-04-1888
Ao Reverendíssimo Padre Francesco
Vale Vêneto
Geringonça, 10 de abril de 1888
Como um grupo, no ano de 1879,
desejava vir para a América, Brasil, decidimos enviar um representante para
tratar pessoalmente com os superiores sobre a viagem gratuita de Gênova até o
destino.
Para essa tarefa foi designado
Antonio Vemier, que partia no dia 29 de junho com a quantia de oitocentas liras
italianas. Assim que chegou a Gênova, alguns dias após, escrevia uma carta a
esta mesma sociedade, dizendo que Gênova lhe fora roubado o dinheiro e que
seria impossível voltar de lá se a mesma não lhe enviasse uma nova quantia.
Vista sua impossibilidade de partir, remetemos-lhe um vale postal de duzentas
liras. Em poucos dias, depois do último que ele recebeu, embarcava de volta
para o Brasil. No dia 4 de outubro do mesmo ano chegava a Santa Maria Boca do
Monte, onde, naquele mesmo dia, na própria Santa Maria, ele se reencontrava com
alguns colonos de Vale Vêneto, que o levaram consigo para o mesmo vale. Alguns
dias depois escreveu uma carta ao chefe da sociedade, mas nada declarou sobre o
que tinha feito, junto os superiores, em benefício da mesma localidade. Aqui permaneceu
até janeiro de 1880 e, depois, decidiu voltar à pátria, e no mês de março
chegava à Itália. Confuso e sem declarar o que ele tinha feito em nosso favor,
foi interrogado por alguns representantes desta comunidade, dado que ninguém conseguia
saber o que ele tinha feito. Mas não se conseguia saber nada porque, na
verdade, não tinha feito nada. Depois de um certo tempo, após sua chegada,
começou a comentar com alguns, dizendo que para conseguir o que nós desejávamos
não haveria outro meio que o de enviar dois sacerdotes, pois estes facilmente
poderiam conseguir com o Governo tudo o que desejávamos. Mas sua esperança foi
em vão, porque uma grande parte da sociedade começou a criticá-lo. Finalmente,
não vendo um meio possível de enviar os sacerdotes com o dinheiro da sociedade,
dado que esses sacerdotes foram recebidos pelos colonos de Vale Vêneto,
valeu-se da família Bortoluzzi. Tendo esta, em sua partida da Itália para cá,
deixado uma herança a ser resgatada, com este mesmo dinheiro embarcou os dois
sacerdotes.
Assim, em 1882 começava uma nova
sociedade sob sua própria direção. Mas de cada localidade exigiu dez liras
italianas, dizendo que estas deveriam servir para as viagens e sacerdotes,
argumentando que em nossa vinda para cá cada família teria recebido do Governo
uma soma de duzentas liras italianas. Mas quando de nossa chegada ficamos
sabendo muito bem que também isso fracassou. E muitos deles entregavam ao Antonio
Vemier os dez francos. Mas se V. Ver.ma quer informar-se melhor sobre isso,
seria mais conveniente que chamasse o Francesco Antoniazzi, pois foi ele quem
arrecadou o dinheiro destas famílias e o entregou nas mão do Vemier. Mas, a
respeito desta afirmação, não posso emitir juízo, visto que a soma total não
corresponde ao arrecadado.
O total, então do dinheiro
arrecadado, ao todo resulta em mil quinhentas e oitenta liras. Uma parte desse
dinheiro, além dos mil francos entregues ao Vemier, no tempo em que permaneceu
na América, sustentamos a sua família, o que, acredito, deverá somar 250
francos e isto é o quanto eu posso dizer do Vemier. Mas este dinheiro que
entregamos ao Vemier, sobre isso na há nenhum documento, porque Vossa Ver. Ma sabe
muito bem que o contrato será de 10 francos por padre, o que por justa
declaração será informado pelo Francesco Antoniazzi, como acima foi citado. Se
assim, V. Ver.ma não estiver plenamente satisfeito de quanto declarei nesta, na
primeira ocasião em que for para Vale Vêneto, responderei as suas dúvidas.
Saúdo Vossa Ver. Ma com toda estima.
O seu humilde servo Inocente Pedron

